A Central Microprocessada e o liga/desliga dos compressores.
Já comentamos na página 2 que o compressor é o coração do sistema de refrigeração. É o componente mais sensível, pois sendo o único que tem partes móveis sofre o impacto de todas as incorreções no projeto, montagem e operação. É também um dos itens mais caros de uma unidade de água gelada. Todo o empenho para preservá-lo é justificável.
É sabido que muitos equipamentos de refrigeração – a geladeira, por exemplo - controlam a temperatura por meio do liga/desliga do compressor. Menos conhecido talvez seja o fato de que compressores “preferem” funcionar continuamente. Toda vez que um compressor é ligado ocorre o superaquecimento temporário do motor elétrico e alguns minutos são necessários para que a lubrificação adequada seja restabelecida. Quando o compressor trabalha em ciclos de curta duração opera com lubrificação deficiente. Já quando há um número elevado de partidas o motor elétrico pode “queimar” pelo superaquecimento. Como se não bastasse, cada partida do motor elétrico acarreta um pico de corrente elétrica que pode sobrecarregar a rede de alimentação.
Com o objetivo de limitar o número de ciclos de liga/desliga unidades até 22.000 kcal/h, que tem um único compressor, são dotadas de um by-pass de gás quente que reduz a capacidade de refrigeração quando a temperatura da água gelada tende a diminuir. O compressor permanece ligado, porém apenas com 50% da capacidade. Em unidades com dois compressores (todas as unidades acima de 22.000 kcal/h tem circuitos independentes de refrigeração), apenas um deles opera enquanto a capacidade requerida é menor que metade da capacidade da unidade. Mantida esta situação, haverá um revezamento dos compressores a cada 2,5 horas. Se um compressor sozinho não consegue manter a temperatura setada, o segundo entra em operação, passando o primeiro a funcionar ininterruptamente deixando para o segundo a função de controlar a temperatura desejada por meio do liga/desliga. A cada 2,5 horas haverá uma inversão automática desta prioridade. Isto, além de aliviar os compressores, proporciona um desgaste por igual.
A versão atual da central eletrônica permite gerenciar unidades com quatro compressores (operação com 0%, 25%, 50%, 75% e 100% da capacidade). À medida que a temperatura da água tende a subir os compressores são ligados seqüencialmente. Desta forma sempre um dos compressores é responsável por controlar a temperatura por meio do liga/desliga. Os outros compressores permanecem desligados ou operando sem interrupção dependendo da carga térmica. O rodízio entre os quatro compressores, embora mais complicado, é mantido para aliviar os compressores e proporcionar um desgaste por igual.
Outros recursos para proteger os compressores e evitar picos de consumo de energia, incluem o ajuste do número máximo de partidas por hora, a entrada escalonada dos compressores, o ajuste por software dos diferencias de temperatura para entrada dos compressores e o retardo na liberação da entrada em operação após uma queda de energia. Existem ainda outras situações que podem por em risco o compressor, que não serão objeto de análise neste artigo.
O excepcional resultado alcançado em 2007 de 0,7% de falhas em compressores, pode ser creditado ao gerenciamento perfeito de todas estas funções. E o responsável por tudo isto é a sofisticada e altamente confiável Central Eletrônica Microprocessada. Ela foi desenvolvida pela Mecalor após anos de pesquisa para executar todas as funções de controle, proteção e sinalização das unidades de água gelada.
